quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sobre a minha vida sem mim


Sabe como eu sei que nada foi em vão? Como eu sei que agora, apesar de tudo, tudo, ainda há uma sombra de algo valioso que nem tem nome? Eu não durmo desde que te conheci. Aí fui ao psiquiatra que me receitou remédios controlados e sugeriu que eu descobrisse “o que te traz satisfação?”.  Eu me lembrei de que, em alguma época da vida, eu já vivi sem esse mau-súbito, por isso perguntei o que você plantaria no seu quintal se tivesse um. E você me disse que plantaria temperos. Talvez não entendam nada. Talvez, se eu perguntasse para a minha mãe, meu irmão ou para qualquer outra pessoa, pensariam que estou louca, como sempre pensam (mas não falam), e me responderiam “Quê?” ou “Como assim?”, sendo que eu só queria saber o que plantar no quintal. Talvez as pessoas não entendam nada sobre quintais, sobre coisas úteis para plantar ou sobre ser quem a gente realmente é. Eu plantaria girassóis, porque acho bonita essa coisa de uma planta se revirar procurando pela luz. Você entenderia. Entenderia, pois sempre entendeu e sempre me deixa ser quem sou, sem reprimir as perguntas incoerentes, só me deixa ser e mais nada. Acho que satisfação é isso. Essa coisa valiosa que não tem nome. E você me perguntou: “mas quem é que não te deixa ser quem é?”.

E eu não entendia. Será que sou eu mesma?

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