segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Porão


Foi perto dos dias tortos, dias em que eu quis fugir de casa, dias em que as paredes tentavam me abraçar... descobri que a gente aprende tudinho nessa vida, menos esquecer. O passado mora aqui no presente, dentro dos livros – sempre começados, nunca terminados – mora nos dedos quando escrevem as palavras, mora grudado nas paredes da casa toda. E mesmo que a gente pense que não, numa súbita sensação de compreensão do mundo, tudo vem à tona, as páginas dos livros saem voando (as palavras não saem), as paredes desmoronam, tudo, tudo cai. Foi perto daqueles dias que descobri que a gente não sabe esquecer. Não sabe e vai viver para sempre assim: sem solução.

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