quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sobre o Não-Dito-Nunca

Eu não quero mais ter cautela para não espantar as pessoas com meu assunto sobre a morte, pois penso nisso muito embora. Vivo em constante briga mental desde o dia em que meu pai despejou em mim tudo aquilo que não tem nem nome. Na verdade, antes ainda. Não sei se foi mesmo assim, mas daí por diante há algum motivo que me faz não conseguir ler nenhum livro até o final, ou que me faz fingir que não acredito em de almas de pessoas mortas vagando por aí e assombrando a minha casa. Há muito me esquivo. Há muito tento estancar tal assunto. Hoje mesmo pensei que em agosto escrevi uma cura para poder atravessar setembro, e agora já é dezembro e a cura nunca fez sarar... Isso acontece porque eu não sei diferenciar a leveza e o peso ditos naquele livro que comecei três vezes, mas nunca acabei, mesmo tentando permanentemente. Talvez eu seja a própria ação da lei de Murphy encarnada. Talvez porque tudo tenha leveza e peso e eu relativize demais todas as coisas que existem. Talvez porque essa resistência, essa doença, esse trauma seja coisa-feita que só irá ter cura quando chegar meu fim. E isso tudo porque, depois daquele dia – e também de muitos outros dias como aquele – eu acho que viver é um horror.

domingo, 23 de dezembro de 2012

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