domingo, 27 de maio de 2012

Quando não há como navegar, marinheiro deve deixar o Mar...


Naqueles dias todo o mundo o vê afastado
porque só sabe se sentir perdido:
perde a hora,
perde a fome,
o nome,
a mania de “o que quer que aconteça
não desiste jamais”.
Que nada!
Aí é que ele desiste mesmo.
Abandona.
Larga pra lá
e cá aqui, aprende a encontrar um punhado de dias,
de gente que facilita,
de códigos desvendados,
de terra firme,
de pedaços d’ele mesmo...
E sabe o que mais?
Da mesma forma como escapuliu
desde não sei qual dia,
continua dizendo:
eu amo o mar!
Só que encontra sempre mais três palavras adicionais:
eu o amo... mas eu desisto
(há de ser o "por enquanto").

(Para o melhor marinheiro de todos).


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Recalque? É isso mesmo, psicanalistas?


Da parte mais doce que existe em mim saiu de quando eu era pequenininha e me havia de ter medo de perder um pedaço de mim no asfalto. Eu transportava pensamentos na calçada cuidando para não me escapar junto deles – não me perder, não escapar um pedaço, não, medo, pedaço, medo, asfalto, não me deixar sair de mim... Da parte mais doce é que ainda escrevo. E que ainda tenho mania de medo. Muito. Só que não no concreto. Talvez no imaginário. Talvez por me perder dentro de mim...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Desde 01/01/2012


Logo quando você me contou que 20:02 te lembra a mim, descobri que o nosso tempo é distante do tempo do mundo. E foi assim que aprendi que nos horários arranjar pretextos para pensar em mim era como você dizia “eu te amo”. Como eu respondia, não sei! E é por isso que ainda escrevo: pra tentar dizer que sim, eu também, eu muito – eu amo você.

« »