segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O amor? Não sei...


ㅤㅤTentar entender o próprio coração é uma briga. Eu nunca me perdoava por não saber usar o amor e isso é o que sempre me fez escrever depois dos 17 anos. Às vezes me pego pensando que eu nem mesmo sabia o que era o amor antes de te encontrar... Por volta e meia, vem morar em mim uma estranha impressão de que, antes, o amor era feito uma triste história que eu escrevia, mas não vivia. Ou vivia, mas não escrevia. Eu nunca havia aprendido a juntar as duas coisas. Nada disso nunca me coube...
ㅤㅤNinguém havia me ensinado: para a minha mãe o amor era pequeno, tão pequeno que se perdeu por aí. Para o meu pai o amor era médio, comum, mas depois ficou tão grande que não acaba nunca mais! Meu avô também não soube usar amor. Desde meados dos anos 60 e morando até hoje nessa cidade que tem só umas três ruas, sai por aí espalhando o seu interminável amor para outras mulheres enquanto a minha avó fica em casa. Minha avó esqueceu tudinho e quando pergunto sobre o amor ela responde: “O amor? Não sei.”, e só.
ㅤㅤEngraçada essa história de entender do próprio coração... vivo a pensar que numa hora dessas existe um monte de gente morrendo de amores. E o pior de tudo é pensar que essas pessoas sofrem brigando consigo mesmas por não saberem usar o amor, ou por nem mesmo saberem sobre ele.

ㅤㅤA questão é que antes, eu, como todo o mundo, sempre quis saber do amor sendo que o amor é o não-saber-nada-nunca. Penso que talvez o amor seja não-usável e não-compreensível, mesmo... e é triste saber que milhões de pessoas já se foram sem pensar deste modo. Antes de ti, eu só vi amores tortos e tristes por aí, e hoje aceito o não entender meu coração sabendo que viver e escrever (ambos para ti) é o meu jeito mais autêntico de amar. O amor, essa palavra, é exatamente isso: não sei. Somente essa palavra. Isso me cabe.

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