terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Não Respiro

Nem bateu na porta e foi vindo sem perguntas, entrando sem acautelar, sem permissão, e foi vindo como quem queria me proteger, sem pedir coisa nenhuma, veio só por vir, habitou meu coração que antes sonhava em ser sozinho e agora teme a morte.


(Ao menos você deixou-me entrar em teu coração-abrigo também).

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Desvelar


Pra ti guardei um conjunto de carinhos por dentre os dedos das mãos (uma vez que não sei ser como você: que sabe oferecer carinho sem encostar um dedo sequer).

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O amor? Não sei...


ㅤㅤTentar entender o próprio coração é uma briga. Eu nunca me perdoava por não saber usar o amor e isso é o que sempre me fez escrever depois dos 17 anos. Às vezes me pego pensando que eu nem mesmo sabia o que era o amor antes de te encontrar... Por volta e meia, vem morar em mim uma estranha impressão de que, antes, o amor era feito uma triste história que eu escrevia, mas não vivia. Ou vivia, mas não escrevia. Eu nunca havia aprendido a juntar as duas coisas. Nada disso nunca me coube...
ㅤㅤNinguém havia me ensinado: para a minha mãe o amor era pequeno, tão pequeno que se perdeu por aí. Para o meu pai o amor era médio, comum, mas depois ficou tão grande que não acaba nunca mais! Meu avô também não soube usar amor. Desde meados dos anos 60 e morando até hoje nessa cidade que tem só umas três ruas, sai por aí espalhando o seu interminável amor para outras mulheres enquanto a minha avó fica em casa. Minha avó esqueceu tudinho e quando pergunto sobre o amor ela responde: “O amor? Não sei.”, e só.
ㅤㅤEngraçada essa história de entender do próprio coração... vivo a pensar que numa hora dessas existe um monte de gente morrendo de amores. E o pior de tudo é pensar que essas pessoas sofrem brigando consigo mesmas por não saberem usar o amor, ou por nem mesmo saberem sobre ele.

ㅤㅤA questão é que antes, eu, como todo o mundo, sempre quis saber do amor sendo que o amor é o não-saber-nada-nunca. Penso que talvez o amor seja não-usável e não-compreensível, mesmo... e é triste saber que milhões de pessoas já se foram sem pensar deste modo. Antes de ti, eu só vi amores tortos e tristes por aí, e hoje aceito o não entender meu coração sabendo que viver e escrever (ambos para ti) é o meu jeito mais autêntico de amar. O amor, essa palavra, é exatamente isso: não sei. Somente essa palavra. Isso me cabe.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Para Estar Comigo

Irei sempre querer estar de mãos dadas com ele, pois juntos sabemos que entrelaçar nossos dedos não é um ato que mantém somente unidas as mãos.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Preparação para caso eu fique novamente sozinha...

...é inevitável não pensar que talvez o meu final não contenha o menino mais incompreensível que eu já quis pra mim. Talvez seja eu e os pedaços que me sobrarem, tentando disfarçar o motivo de viver com um espaço muito vago no coração - que serve para eu ser algo melhor no mundo. Mesmo com o interior cheio de espaços, talvez meu final seja seguir em frente. Só.


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Quando Embora Você Vai

Quando sei que logo você vai embora, acabo fazendo o que eu menos queria e caio naquele diálogo macabélico. Você me olha e ri, que não precisa preocupação, que está tudo bem! Mas não, não está tudo tão bem, porque é certa a tua partida. E quando finalmente você se vai e te vejo caminhar ao longe, às vezes quase tenho a impressão de que você parece estar voltando, mas logo em seguida eu desaprendo como conter o choro e atrevo-me a pensar que passarei a vida inteira pensando no amor... encho-me de bossa nova da estrada de sol que nem luz tem, até me tornar mais do que um disco inteirinho do Tom transbordando em vinil. Quando embora você vai, não me lembro de falha alguma (exceto minhas) e então gosto de ti plenamente e sem voltas. Quando você se vai, não consigo me absorver e subentender, nem deixar o quarto em ordem, não gosto nem de olhar pro espelho... parece que a única coisa que sei fazer é pensar que você se foi. Quando embora você vai, a ternura que mora em mim não mais se acostuma com o tempo - que se torna diferente do tempo do mundo - e acabo sendo o próprio Dom Casmurro confabulando sobre o que nem existe. Vou dramatizando a realidade feito Burton, maldigo Deus e o mundo me arrependendo no instante seguinte, pressinto acidentes fatais, doenças terríveis, maus súbitos, tudo ou qualquer coisa que serve para sofrer ainda mais a sua partida, porque aí penso que nunca mais irei botar os olhos em ti novamente. Por alguma razão que nunca será passível de compreensão, passo a gostar de ti ainda mais, muito mais ainda, quando você vai embora. . .


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Pequena nota sobre o dia que você entendeu e me fez entender também...


Nesse dia você soube entender
que, em tudo o que eu não digo,
tem o que eu sempre quis lhe dizer...
E o que guardo aqui dentro – teu abrigo –
pôde não sair em forma de palavra,
uma vez que não convém.
Dessa forma te digo e você me diz:
“eu te amo” e “eu também”.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

einmal ist keinmal

. . .é que por mais que o mundo aponte um milhão de motivos contrários, estar com você nunca me pareceu errado. Às vezes até penso que foi a única escolha correta que eu fiz.


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