quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sobre o Não-Dito-Nunca

Eu não quero mais ter cautela para não espantar as pessoas com meu assunto sobre a morte, pois penso nisso muito embora. Vivo em constante briga mental desde o dia em que meu pai despejou em mim tudo aquilo que não tem nem nome. Na verdade, antes ainda. Não sei se foi mesmo assim, mas daí por diante há algum motivo que me faz não conseguir ler nenhum livro até o final, ou que me faz fingir que não acredito em de almas de pessoas mortas vagando por aí e assombrando a minha casa. Há muito me esquivo. Há muito tento estancar tal assunto. Hoje mesmo pensei que em agosto escrevi uma cura para poder atravessar setembro, e agora já é dezembro e a cura nunca fez sarar... Isso acontece porque eu não sei diferenciar a leveza e o peso ditos naquele livro que comecei três vezes, mas nunca acabei, mesmo tentando permanentemente. Talvez eu seja a própria ação da lei de Murphy encarnada. Talvez porque tudo tenha leveza e peso e eu relativize demais todas as coisas que existem. Talvez porque essa resistência, essa doença, esse trauma seja coisa-feita que só irá ter cura quando chegar meu fim. E isso tudo porque, depois daquele dia – e também de muitos outros dias como aquele – eu acho que viver é um horror.

domingo, 23 de dezembro de 2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Do Motivo de Toda Canção ou Canção de Inverno

Há muito tempo. Não lembro quando. 3ª, 4ª ou 5ª série do fundamental (antigo). Foi bem repentino: num livro didático, eu o percorri com os olhos e nunca mais me esqueci, nem que tentasse, nem que comparasse, nem que abandonasse, nem que quisesse mais do que sei lá o quê. Tem coisas que não adiantam mesmo. E por mais ingênuos que possam parecer, esses são os versos dos quais eu mais queria que fossem meus. Talvez por eu fazer tanto rodeio para me esconder da tristeza por nunca ter visto a neve,  da simplicidade que nunca tive, do choro que eu camuflo por volta e meia...



“Será a neve resvalando.
Ou é o pranto a deslizar?”

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Vigília


Nos minutos, momentos, dias, quadras que você está longe, preparo o coração para lhe receber de volta. Longe de ti, é o máximo que sei fazer: te cuidar de longe...


sábado, 20 de outubro de 2012

Sonífero


Quando é perigoso viver,
somente me resta sonhar
(como quem fecha os olhos
por medo de entender tudo).

sábado, 6 de outubro de 2012

Triângulo


Nos segundos em que penso em mim, só consigo avistar uma porção de repetições cansativas, doenças sem diagnósticos e aforismos de que as pessoas que amo morrerão justamente no dia em que eu as machucar. Isso sempre me ocorre (tudo que escrevo é semelhante). Desde pequena. Eu me lembro. Uma das primeiras lições que aprendi é que, em geral, as pessoas se espantam quando escutam falar sobre a morte, e isso deve se dar por tudo tudo tudo acabar um dia. Assim, sem voltas ou rodeios. Não me perdoo por ter deixado minha plantação de feijão morrer quando eu era pequena, daí por diante não deixo que minhas palavras consigam partir também. Isso faz com que estas fiquem todas acumuladas no meu corpo como vestígios de doença (palavras não doem apenas nos ouvidos e coração). Todo dia encontrei milhões de pretextos para querer morrer no dia seguinte, eu não me importaria, mas ao menos agora vejo que meus grotescos-pontos-de-vista sempre são pequenos demais para eu ter tanta mágoa acumulada em cada cantinho do corpo, repetindo, refletindo, reproduzindo e apenas esperando um motivo minimalista que faça encontrar libertação.


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Ensinamento 8


Desfaça os teus embaraços.
É assim que a gente se dá conta
de que não há muitas distâncias
no nosso dentro...

domingo, 23 de setembro de 2012

Ensinamento 7


Escreva para que nada se perca de ti.
Escreva mesmo que
nunca entenda nada
quem vier para ler.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012

Ensinamento 5


Se, ao olhar para trás,
aflito sentir o coração,
melhor é não perder tempo
com o tempo que já foi em vão...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Ensinamento 3


Entenda que toda dor
vezenquando vem visitar
que é para ninguém ficar
completamente sozinho...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ensinamento 2


O que é de verdade
não evapora nunca, nunca.
Se o sentimento não surgir hoje,
amanhã tu tenta de novo.

sábado, 1 de setembro de 2012

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Canção para começar o mais triste dos meses...


Ando ansiosa por amanhã. Após alguns anos, sinto que dessa vez irei ser feliz ao atravessar setembro. Acredito nisso porque acredito em ti.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Psicologia Ideal (para o dia do psicólogo)


Se o Freud tivesse
Skinner conhecido:
amaria os ratos.
Se Skinner tivesse
conhecido Freud:
amaria os charutos.
E tudo seria mais simples!
Só isso.
Mais nada.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

domingo, 12 de agosto de 2012

De lá pra cá


E o “sinal de igual”,
a conclusão final
é aquilo desmancha:
Novo amigo na escrita antiga.
Velho conhecido na escrita atual.
Quem é que não se cansa?


(Para alguém que pediu que eu me baseasse em suas cartas e que eu, 
frustrada, sinto em não atender às expectativas).

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Sabe o que é?


Tenho medo do quanto preciso de ti. Medo dessa compulsão de querer estar com você amanhã e depois e cedo e tardezinha e na madrugada e sempre...

terça-feira, 19 de junho de 2012

...mas é por você!


Só por ti eu faria tudo o que já li naqueles livros de romance. Desenharia corações em todos os lugares. Eu tentaria deixar o mundo melhor porque você mora nele...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Nota Final (para o dia dos namorados)


(...)
No fundo, talvez o nosso amor nada tenha de romântico, mas troco o moço que me esperaria o portão da faculdade, o cara que almoçaria ao meu lado e esse monte de gente que encontro no caminho para a casa por uma tarde de procrastinação com você. Com o tempo, pareço ter perdido meu jeito de romantizar e desaprendido de escrever bonito... Uma vez eu disse que “quando, pelos os olhos, não se pode ver o que era visto antes, é porque o que está lá fora já entrou no nosso dentro”. Isso nunca me havia feito tanto sentido como hoje, como quando não consigo mais lhe dizer tantas coisas, porque está aqui dentro, não fora. E o que está dentro não quer sair nunca. E é isso, quando eu te vejo, eu sei que tem algo aqui dentro. Eu te vejo e sei. É somente isso. E hoje eu também sei que nós temos tanto que não há dicionário no mundo que saiba dizer.


domingo, 3 de junho de 2012

Dudu


Quieto, Dudu começou com coisas pequeninas, um adesivo, um adereço no caderno, uma peça ornamental. Aprimorou o violão pequeno e, em seguida, o grande. Confeccionou robôs de metal velho, produziu gambiarras que facilitam a vida, colou coisas nas paredes, quebrou o espelho construindo um mosaico com os cacos do mesmo. Escreveu, desenhou, pintou de graxa, carvão, tinta preta... seu quarto tornou-se assustador à primeira vista. Disse tanto sem falar. Falou tanto sem dizer. Tanto disse quanto questionou, e Dudu ainda se pergunta se alguém nesse mundo entende que tudo, tudo, tudo não passa de uma tentativa que adeque o mundo para que algo seja somente seu.

domingo, 27 de maio de 2012

Quando não há como navegar, marinheiro deve deixar o Mar...


Naqueles dias todo o mundo o vê afastado
porque só sabe se sentir perdido:
perde a hora,
perde a fome,
o nome,
a mania de “o que quer que aconteça
não desiste jamais”.
Que nada!
Aí é que ele desiste mesmo.
Abandona.
Larga pra lá
e cá aqui, aprende a encontrar um punhado de dias,
de gente que facilita,
de códigos desvendados,
de terra firme,
de pedaços d’ele mesmo...
E sabe o que mais?
Da mesma forma como escapuliu
desde não sei qual dia,
continua dizendo:
eu amo o mar!
Só que encontra sempre mais três palavras adicionais:
eu o amo... mas eu desisto
(há de ser o "por enquanto").

(Para o melhor marinheiro de todos).


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Recalque? É isso mesmo, psicanalistas?


Da parte mais doce que existe em mim saiu de quando eu era pequenininha e me havia de ter medo de perder um pedaço de mim no asfalto. Eu transportava pensamentos na calçada cuidando para não me escapar junto deles – não me perder, não escapar um pedaço, não, medo, pedaço, medo, asfalto, não me deixar sair de mim... Da parte mais doce é que ainda escrevo. E que ainda tenho mania de medo. Muito. Só que não no concreto. Talvez no imaginário. Talvez por me perder dentro de mim...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Desde 01/01/2012


Logo quando você me contou que 20:02 te lembra a mim, descobri que o nosso tempo é distante do tempo do mundo. E foi assim que aprendi que nos horários arranjar pretextos para pensar em mim era como você dizia “eu te amo”. Como eu respondia, não sei! E é por isso que ainda escrevo: pra tentar dizer que sim, eu também, eu muito – eu amo você.

sábado, 21 de abril de 2012

Oração


...e cuida de minhas palavras para que nunca tenham o poder de ferir os outros propositalmente, Deus, porque Você me ensinou que felicidade é quando a gente dorme sabendo que não fez mal a ninguém.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Súplica

Eu queria poder desaparecer! Ou queria ir até à janela da sua casa para falar que odeio não conseguir te odiar nenhum milímetro, olhando daqui. E tudo isso devido a essa minha mania de te isentar de toda culpa e de pensar que você é parte da minha vida que faz o mundo girar mais bonito - e que mesmo que você o tornasse feio, antes tê-lo assim do que não tê-lo. Sim, eu preciso ficar com você. Eu digo com toda a verdade que sei: eu preciso! Se isso fosse questão de escolha, eu te escolheria, pois você é meu único pedido para Deus hoje (ou daqui um século).

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pingos nos Ís


Se o prédio nunca esteve
ca
in
d
o
a essa altura pouco importa!

Que se dane o delegado,
a (M)en(i)na que te usou
para trair o ex-namorado,
e o pequenino recado.

Já nada mais faz questão.
Nada há de voltar atrás
por quem me quis por perto,
e me quis por longe,
e ainda volta dizendo
inverdades sobre o amor
a quem
n(e)m
q(u)er
saber.

Que possa, enfim, desacreditar
e ir se retirando
de tudo o que não mais lhe convém.
Que agora tem quem, na cidade, vê o mar
e pensa que escrevo bem.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Canção Oculta


Vive criando
paren(tese)s
e se encontra numa rima:
uma neblina
(me)n ina
que não se deixa ver.


terça-feira, 20 de março de 2012

Previsão (do tempo)


Talvez aconteceria
que a cidade
te diria
que, comigo, não é pra tu ficar:
não era pra eu te deparar
nessa vida,
nessa chuva,
em nenhuma...
E eu nem ligaria,
quem sabe
até concordaria,
até defenderia,
pois ouvi esses dias
na novela
que me dizia
“eu não sei
o que fiz pra merecer”.
O que fiz?
Eu não sei.
Eu só sei
e a cidade também sabe
que dentro de de ti faz sol.
E dentro de mim
tempo-ral.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Audácia


Às vezes tenho a impressão
de que você veio
ao mundo só para me proteger,
mas demorou para me encontrar.

(Encontrou-me a tempo).

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Não Respiro

Nem bateu na porta e foi vindo sem perguntas, entrando sem acautelar, sem permissão, e foi vindo como quem queria me proteger, sem pedir coisa nenhuma, veio só por vir, habitou meu coração que antes sonhava em ser sozinho e agora teme a morte.


(Ao menos você deixou-me entrar em teu coração-abrigo também).

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Desvelar


Pra ti guardei um conjunto de carinhos por dentre os dedos das mãos (uma vez que não sei ser como você: que sabe oferecer carinho sem encostar um dedo sequer).

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O amor? Não sei...


ㅤㅤTentar entender o próprio coração é uma briga. Eu nunca me perdoava por não saber usar o amor e isso é o que sempre me fez escrever depois dos 17 anos. Às vezes me pego pensando que eu nem mesmo sabia o que era o amor antes de te encontrar... Por volta e meia, vem morar em mim uma estranha impressão de que, antes, o amor era feito uma triste história que eu escrevia, mas não vivia. Ou vivia, mas não escrevia. Eu nunca havia aprendido a juntar as duas coisas. Nada disso nunca me coube...
ㅤㅤNinguém havia me ensinado: para a minha mãe o amor era pequeno, tão pequeno que se perdeu por aí. Para o meu pai o amor era médio, comum, mas depois ficou tão grande que não acaba nunca mais! Meu avô também não soube usar amor. Desde meados dos anos 60 e morando até hoje nessa cidade que tem só umas três ruas, sai por aí espalhando o seu interminável amor para outras mulheres enquanto a minha avó fica em casa. Minha avó esqueceu tudinho e quando pergunto sobre o amor ela responde: “O amor? Não sei.”, e só.
ㅤㅤEngraçada essa história de entender do próprio coração... vivo a pensar que numa hora dessas existe um monte de gente morrendo de amores. E o pior de tudo é pensar que essas pessoas sofrem brigando consigo mesmas por não saberem usar o amor, ou por nem mesmo saberem sobre ele.

ㅤㅤA questão é que antes, eu, como todo o mundo, sempre quis saber do amor sendo que o amor é o não-saber-nada-nunca. Penso que talvez o amor seja não-usável e não-compreensível, mesmo... e é triste saber que milhões de pessoas já se foram sem pensar deste modo. Antes de ti, eu só vi amores tortos e tristes por aí, e hoje aceito o não entender meu coração sabendo que viver e escrever (ambos para ti) é o meu jeito mais autêntico de amar. O amor, essa palavra, é exatamente isso: não sei. Somente essa palavra. Isso me cabe.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Para Estar Comigo

Irei sempre querer estar de mãos dadas com ele, pois juntos sabemos que entrelaçar nossos dedos não é um ato que mantém somente unidas as mãos.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Preparação para caso eu fique novamente sozinha...

...é inevitável não pensar que talvez o meu final não contenha o menino mais incompreensível que eu já quis pra mim. Talvez seja eu e os pedaços que me sobrarem, tentando disfarçar o motivo de viver com um espaço muito vago no coração - que serve para eu ser algo melhor no mundo. Mesmo com o interior cheio de espaços, talvez meu final seja seguir em frente. Só.


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Quando Embora Você Vai

Quando sei que logo você vai embora, acabo fazendo o que eu menos queria e caio naquele diálogo macabélico. Você me olha e ri, que não precisa preocupação, que está tudo bem! Mas não, não está tudo tão bem, porque é certa a tua partida. E quando finalmente você se vai e te vejo caminhar ao longe, às vezes quase tenho a impressão de que você parece estar voltando, mas logo em seguida eu desaprendo como conter o choro e atrevo-me a pensar que passarei a vida inteira pensando no amor... encho-me de bossa nova da estrada de sol que nem luz tem, até me tornar mais do que um disco inteirinho do Tom transbordando em vinil. Quando embora você vai, não me lembro de falha alguma (exceto minhas) e então gosto de ti plenamente e sem voltas. Quando você se vai, não consigo me absorver e subentender, nem deixar o quarto em ordem, não gosto nem de olhar pro espelho... parece que a única coisa que sei fazer é pensar que você se foi. Quando embora você vai, a ternura que mora em mim não mais se acostuma com o tempo - que se torna diferente do tempo do mundo - e acabo sendo o próprio Dom Casmurro confabulando sobre o que nem existe. Vou dramatizando a realidade feito Burton, maldigo Deus e o mundo me arrependendo no instante seguinte, pressinto acidentes fatais, doenças terríveis, maus súbitos, tudo ou qualquer coisa que serve para sofrer ainda mais a sua partida, porque aí penso que nunca mais irei botar os olhos em ti novamente. Por alguma razão que nunca será passível de compreensão, passo a gostar de ti ainda mais, muito mais ainda, quando você vai embora. . .


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