terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Telefonema


É sempre assim, Josué: quando a tua voz vem morar na minha casa, tudo o que eu havia planejado de lhe dizer evapora sem mais nem menos, tudo evapora, tudo vai embora e eu acabo por nunca lhe pedir desculpas porque sei a sua senha do portal do aluno no site da faculdade, é que, por conta disso, eu sei exatamente o horário que você almoçou na semana passada, e olha bem, menino, também nunca lhe conto sobre as centenas de poeminhas quebrados e ridículos que forjei pra te curar, e não lhe pergunto nunca do teu endereço novo que há tempos eu preciso para enviar aquelas cartas quase mofadas, aquelas, que você já se esqueceu, aquelas escritas em dias de chuva do último romance, em dias que eu estou perdida, em dias como esse, que escuto a tua voz e me esqueço de quem sou e do que era certo lhe falar, e só sai de mim coisas sem sentido durante 4 minutos e 19 segundos, até você parar de falar e o meu coração parar de bater por um tempinho e voltar a bater no segundo seguinte só para eu não querer mais ser eu e morrer de medo de você não querer falar comigo nunca mais.

(Porque eu vou sempre querer falar com você, sempre).

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