terça-feira, 29 de novembro de 2011

Poesia de Arquitetura Quebrada


Quando passei pela catraca e pensei estar na praia (por causa do sol da matinal), lembrei-me daquelas cartas. Esquecidas. Nunca respondidas. Tem um ano...
E é isso: a culpa disso tudo é daquelas cartas.
É do tempo gasto com a poesia que fiz pro meu irmão
(que ganhou o prêmio na escola).
É o sudoku que fez-me suportar a aula de psicanálise.
É da palheta (preta).
Do lápis que parece cigarro.
Da carta do baralho.
Do salário.
Do armário
emprestado.
Do nanquim derramado:
a calunga borrada,
percepção embotada,
topografia avoada,
o horário marcado,
o André no retrato,
o trato
quebrado
poema
de sl oca do
razão
per
di
d
a
é o seumundointeiro
que está cheio
(de vontade de me fazer chorar).

domingo, 27 de novembro de 2011

Freud no Divã


Menina
cheia de mania
de organizar
mania
de ordenar
que a professora de (pisc)análise
aprontou com o caso Dor-a
e depois teve um ato falho
com o (Foda)
Freud
(explica!)
e diz que o cocô é o pagamento
que a minha mãe reclama todo mês
e foi na assistente social
pedir a bolsa parcial
que nunca deu certo
Murphy, decerto
pura lei
física e matemática
uma tática
para conquistar quem tem mania
de perfeccionismo
de ver o lado (neg)ativo
que só tem elétron
que só fala em terceira pessoa
e que vive
[presa, menina]
fazendo associação livre.



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Do Vento Depois ou Poema do Poema


Depois do poema
surgem entretantos em hipérbole
feitos de luz,
que se escondem entre os cantos,
contos e prantos...
e depois ventam no mundo,
fazem o tempo subentender-se
virando lembranças ao avesso
e anunciam
(uma pausa).

Depois do dilema
a tristeza é esperada:
tornou-se contrária
e recordar não existe.
Nada fica!
Ventando,
tudo vai ,
tudo cai.
Depois do poema:
lágrima vem.
Depois do poema:
ven-
ta.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

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