segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Por ela, ele, Caio e por mim


ELA:
Silenciei com o tempo e aquietei meu coração. Esperar já não era mais tão difícil, só que eu ainda não havia aprendido a pregar os olhos, foi então que fingi acordar quando ele chegou. Perguntei sobre o trabalho e ele disse que faltava muito. Sempre faltava. Mas quando eu perguntei sobre o amor, ele nada respondeu e, por fim, olhou-me com os olhos mais bonitos que já vi na vida. Pensei então, que talvez precisasse de mim ao amanhecer.

ELE:
Estava silêncio como de costume. Ela estava linda, mas sem querer a acordei. Talvez fosse o que eu queria? Perguntou-me das coisas de sempre. Coisas essas, tão ruins que me sinto mal por ela se preocupar. Eu quis falar sobre o amor, mas essa era uma resposta que ela já sabia ao certo. Ela devia saber, tinha que saber. Não dormi pensando que precisaria dela pela de manhã.

CAIO:
Os dois em meio a uns silêncios. Ela era mais que linda. Meio desmedida. E rainha. Ele a merecia sobre tudo e sobre nada. O despertar mentiroso dela, passou batido aos olhos dele. Ele não entendia o que ela dizia. Respondia por reflexo. Errou pela primeira vez quando ela pediu a palavra amor, e ele negou, mas depois pensou que precisaria dela pela de manhã.

POR MIM:
O som sem barulho algum e os dois de tão iguais que eram, não perceberam um a cena do outro. Ela pensava nele antes dela, e até seria um erro se ele não fizesse o mesmo. Talvez estivesse tudo ao contrário como sempre foi. Talvez se ele falasse algo sobre o amor, talvez... Ele sabia que precisaria dela pela manhã, mas ainda não sabia que precisaria também por todos os outros dias.


(A parte de Caio são trechos tirados do livro “Pequenas Epifanias” de Caio F. Abreu).

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Empatia


Te vi triste e me senti tal uma folha se desprendendo de uma árvore: te encontrei onde começa a minha dor. E de tanto que dói, esse sentimento é assustador à beça, e veio para que eu tente afastar o que não quer te ver feliz. Foi assim, imaginei a minha continuação, num roteiro que nunca existiu, somente para que você não seja triste nunca mais.

(Para alguém que é muito mais que um desconhecido qualquer).

domingo, 16 de janeiro de 2011

Dicionário do Amor III


Amor | latim, s, m : não conseguir ir a lugar algum, pois é labirinto; silêncio musicando; aperto que não passa nunca.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Lei do Galileu


Mesmo com essa perseguição da física, ainda assim, eu consigo levar como quem disfarça que não percebe nada. Digo isso, pois penso em o que insiste em cair. O nome disso é gravidade forjada teimosa, e acontece quando algo quer derrubar-se, quer encontrar o chão mesmo que demore, pode passar dias tentando... E aí cai e quebra. Quebra porque cai. E é só isso. Pura lei da física e acabou.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Canção Verb to be


A contradição do ser na qualidade de um simples estar. Estar junto e poder sorrir. Não ser nunca e, só, chorar.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Diálogo Noturno ou Escrevendo a Vida


K: Eu gosto de escrever. Muito. Mas por esses dias, eu só tenho pensado que escrevo e não vivo.
F: Se não vive, não tem o que escrever.
K: Eu deveria parar com essa coisa.
F: De escrever?
K: É!
F: Mas você muito gosta. Não se deve parar, só viver antes.
K: Como se tudo o que sai da gente é porque já entrou um dia?
F: Sim, e talvez ainda esteja aí.
K: Ou talvez eu esteja esvaziando...
F: Não seria um sinal?
K: Acredita em sinais?
F: Não seria estranho pensar que as coisas não tenham motivo algum?
K: As coisas nunca tem. Nunca.
F: Ou Sempre.
K: Sempre é nunca acabar.
F: Nunca acaba.
K: O que?
F: Estamos escrevendo e não vivendo.
K: Não?
F: Não.
K: E isso tudo é o que? É sempre? É nunca?
F: É tudo.
K: Então vamos parar de escrever e viver antes?
F:
K: Alô?
F: Já parei.
K: Mas você disse que não se deve parar.
F: Mas pare. Agora.
K:
F:
K:
F: Viver assim é pior que não viver nunca.
K: Pior que viver assim é nunca acabar.
F: Estou achando que escrever também pode ser vida.
K: Quando compartilhada?
F: Quando.
K: Quando?
F: Sempre.
K: É escrevendo por cima da vida que vai se construindo o sempre.
F: Vamos começar de novo?
K: E dá?
F: Agora...
K: Veja bem, eu gosto muito de escrever, mas por esses dias, eu só tenho pensado que escrevo e não vivo.
F: É que a gente escreve o sempre por cima da vida.
K: Eu não deveria parar com essa coisa?
F: De escrever?
K: É!
F: Não. Nunca.
K: Nunca é sempre ao contrário.
F: Sempre é nunca acabar.
K: Que nem isso tudo?
F: Não seria um sinal?
K: Não seria estranho pensar que as coisas não tenham motivo algum?
F: Estamos escrevendo por cima da vida.
K: Estamos escrevendo antes de viver.
F: Se esvaziando?
K: Talvez ainda esteja aqui.
F: É um sinal.
K: Vivo fazendo isso.
F: Sim. Sempre.
K:
F: Você vai parar com essa coisa?
K: De escrever?
F: É!
K: Eu deveria sempre ou nunca?
F: Nunca é igual sempre poque não acaba. Nunca é sempre.
K: É esse o motivo de tudo.
F: Tudo faz sentido.
K: Por que não sei viver de outro modo.
F: Se não seria estranho?
K: É.
F: É.


(Diálogo que - quase - tive com Felipe Patron).


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