quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cabelo Cinza

Menino... no momento em que eu avistava o nada e você sorrindo notou, na verdade eu olhava para o meu dentro - tão enrolado – e pensava naquilo que por volta e meia vem na minha cabeça: “como é que alguém como você pode querer estar com alguém como eu? Seja lá como for”. E aí eu chorei, só que para dentro do meu caracol. Isto é o que mais sei fazer: guardo tudo que não tem por onde ser dito. No entanto, tudo o que guardo quer me escapar grudando em ti, e me parece que você está percebendo tudo o que mais quis esconder na vida... Lembra-se de quando você me disse que se eu pudesse mudar minha idade, eu não seria mais eu? É exatamente isso que eu queria!


(Com essa singularidade, não são necessários nomes).


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Como já dizia o Poeta (Nina quer me ninar, mas eu que nino a Nina)


Eu seria o Poetinha mais triste do mundo se não fosse por Nina. Sempre que ela dá as caras o meu coração sorri, todo tímido que só ele! Espalha-se luz até na treva mais insistente. Rá! Mas é normal, afinal, sou Poeta e perto dela eu sou só homem. Poeta que é Poeta mesmo, sabe rimar e eu não encontro rima pra Nina, só sei sorrir todo boboca agradecendo a todos os anjos por ter colocado Nina em minha vida. Porque se eu choro, ela sorri e passa. Eu coro, ela ri e eu passo. Eu passo e ela me puxa, dizendo pra eu nunca abandoná-la. Mas que loucura, né?! Uma moça como Nina pensar que eu a deixaria assim, sem Poeta pra rimar Nina com tudo menos com ritmo...
[...]
...com meus olhos de abelha a lhe fitar, mas com doçura de beija-flor pra lhe calcular todinha e lhe sentir só pra te escrever uma prosa. Mas a prosa não é sua... a prosa é minha.

(Fragmento da prosinha que o Senhor Poeta fez para mim,
pois, egoísta que sou, não deixarei que leiam-na por completo).

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Telefonema


É sempre assim, Josué: quando a tua voz vem morar na minha casa, tudo o que eu havia planejado de lhe dizer evapora sem mais nem menos, tudo evapora, tudo vai embora e eu acabo por nunca lhe pedir desculpas porque sei a sua senha do portal do aluno no site da faculdade, é que, por conta disso, eu sei exatamente o horário que você almoçou na semana passada, e olha bem, menino, também nunca lhe conto sobre as centenas de poeminhas quebrados e ridículos que forjei pra te curar, e não lhe pergunto nunca do teu endereço novo que há tempos eu preciso para enviar aquelas cartas quase mofadas, aquelas, que você já se esqueceu, aquelas escritas em dias de chuva do último romance, em dias que eu estou perdida, em dias como esse, que escuto a tua voz e me esqueço de quem sou e do que era certo lhe falar, e só sai de mim coisas sem sentido durante 4 minutos e 19 segundos, até você parar de falar e o meu coração parar de bater por um tempinho e voltar a bater no segundo seguinte só para eu não querer mais ser eu e morrer de medo de você não querer falar comigo nunca mais.

(Porque eu vou sempre querer falar com você, sempre).

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Poesia de Arquitetura Quebrada


Quando passei pela catraca e pensei estar na praia (por causa do sol da matinal), lembrei-me daquelas cartas. Esquecidas. Nunca respondidas. Tem um ano...
E é isso: a culpa disso tudo é daquelas cartas.
É do tempo gasto com a poesia que fiz pro meu irmão
(que ganhou o prêmio na escola).
É o sudoku que fez-me suportar a aula de psicanálise.
É da palheta (preta).
Do lápis que parece cigarro.
Da carta do baralho.
Do salário.
Do armário
emprestado.
Do nanquim derramado:
a calunga borrada,
percepção embotada,
topografia avoada,
o horário marcado,
o André no retrato,
o trato
quebrado
poema
de sl oca do
razão
per
di
d
a
é o seumundointeiro
que está cheio
(de vontade de me fazer chorar).

domingo, 27 de novembro de 2011

Freud no Divã


Menina
cheia de mania
de organizar
mania
de ordenar
que a professora de (pisc)análise
aprontou com o caso Dor-a
e depois teve um ato falho
com o (Foda)
Freud
(explica!)
e diz que o cocô é o pagamento
que a minha mãe reclama todo mês
e foi na assistente social
pedir a bolsa parcial
que nunca deu certo
Murphy, decerto
pura lei
física e matemática
uma tática
para conquistar quem tem mania
de perfeccionismo
de ver o lado (neg)ativo
que só tem elétron
que só fala em terceira pessoa
e que vive
[presa, menina]
fazendo associação livre.



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Do Vento Depois ou Poema do Poema


Depois do poema
surgem entretantos em hipérbole
feitos de luz,
que se escondem entre os cantos,
contos e prantos...
e depois ventam no mundo,
fazem o tempo subentender-se
virando lembranças ao avesso
e anunciam
(uma pausa).

Depois do dilema
a tristeza é esperada:
tornou-se contrária
e recordar não existe.
Nada fica!
Ventando,
tudo vai ,
tudo cai.
Depois do poema:
lágrima vem.
Depois do poema:
ven-
ta.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Canção para terminar o mês...

Está quase impossível suportar as tuas lembranças, Outubro. Você podia fazer-me o favor de terminar logo?

domingo, 16 de outubro de 2011

Dicionário do Amor – Apêndice

Amor | latim, s, m : só para lembrar que dizem por aí que os que amam e os que são felizes, não são os mesmos.

domingo, 9 de outubro de 2011

Breve Nota Sobre Aprendizagem


São três coisas que – mais que tudo nessa vida – eu queria aprender: desacreditar, esquecer e a não me importar. Por via de regra, coloquei-me a acreditar em coisas que não existem... não sei entender que a tua mão já não serve mais na minha e ainda penso que todas as vezes que você botar os olhos em mim, eu irei sentir o mundo silenciar. Talvez não seja mesmo passível de compreensão pensar (todos os dias) em ti, no entanto, ninguém pode peneirar o que entra na cabeça: sempre me lembro do caminho de trevos de três folhas - que não sabem atender aos pedidos. Não atenderam. E não queria que, para lhe dizer tudo isso, fosse preciso que eu chorasse mais de mil gostas de lágrimas.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sonho que faz voltar


É como sempre digo:
voltar depois da despedida
dói mais do que a ida.
(Sa)ida, lembra?
Ainda assim,
vezequando eu volto,
caminhando com meus passinhos...
(Des)andando.
Volto,
porque tenho mania de sonhar,
porque esquecer não existe,
e porque ainda quero construir o caminho
como a gente antes quis.
É preciso.
Ele precisa saber que,
durante o tempo ausente,
eu o vivi;
e sinto falta de mim mesma.
Ele precisa saber que
tudo
ainda
está aqui,
e que nessa cidade
ninguém conhecerá o fim.
Só voltando
e ele sabendo,
encontro o que eu estava procurando:
não fora.
Mas dentro.
Encontro dentro de mim.
(Sonho profundo.
Maior que eu.
Maior que o mundo).

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Canção com Rimas Pobres (Eu Liberto)


Qualquer futuro é mesmo incerto:
chega de sentimento encoberto,
estendo palavras e o coração aberto.
É (quase) tudo que lhe oferto
somente para ter você por perto. . .

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Nunca me Tive


Quando moro na luz
Bato forte na janela,
Mas também sei ser capuz
Quando falta-me cautela.

Desprendo meus pés do chão
Quando estou a morar no vento,
E nas bolhas de sabão
Quando o céu está cinzento.

Quando na tempestade estou
Caio em lágrimas do céu
Rego o pouco que restou
Do amor feito em cordel.

Tal poesia ingênua e sonora
É o pouco que ainda sei,
Então, me pergunto agora:
Quando foi que em mim me guardei?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Joplin em alguém


Contam por aí que,
por volta e meia,
a solidão do outro
é o que pode nos salvar da nossa,
mas não entendo como é
que isso acontece por si só.
Nessa bagunça de casa
de cidade
tem um olhar,
quem sabe,
um olhar em meio
a tantos outros
que poderia nos salvar
ao ouvir uma música
soar num velho carro azul,
abriria o vidro
e apenas nos veria?
Não existe o carro,
o vidro,
alguém.
Ninguém?
E por isso as pessoas se perdem por aí
como quem quer se encontrar...
(Ou ser encontrado
por alguém que segura na mão
e diz algo de outrora.
O carro,
o vidro,
alguém.
“I know how you feel”).
Solidão também se divide?
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