segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sobre a Lembrança e o Esquecimento


Deixe-me esquecer. Lembre-me de não olhar o relógio, não quero saber que horas são, o quanto me atrasei ou se é melhor chegar antes. Lembre-me de não andar olhando a direção, não quero saber onde estou, com quem ando e para onde vou. Lembre-me de não falar, não quero saber de mentiras, justificativas, ou do interno de nada. Deixe-me esquecer. Esquecer dos planos feitos ou desfeitos, dos objetivos inacabados e das frases que nunca completei. Esquecer que não posso estar presente onde anseio que tenho que me despedir, que tenho que me desprender. Esquecer do que sou incapaz, que não sirvo para amar ninguém, de quantas pessoas já machuquei, e das muitas que estão por vir. Esquecer do passado, do futuro, do presente. Esquecer que é doloroso esquecer... então, deixe-me esquecer. E talvez quando eu esquecer tudo, por favor: lembre-me apenas de não me lembrar. De nada mais.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Canção do Mundo Belo


É como se meus cílios se encontrassem e começassem a sonhar numa silenciosa canção: o mundo ficou mais belo - ainda que inutilmente - quando por ele andou o meu coração.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pontes


As desculpas do ano passado são os projetos deste ano... Toda vez que eu voltava para a casa, dizia ser a ultima. Toda vez que eu voltava para a casa, seguia por quebrar uma ou duas pontes frágeis. Não conseguia. Não era fácil manter tantos atalhos instantâneos (daqueles que ligam mundos distintos noutros mais distintos ainda). Então, de muitos, alguns se partem, e somem, e são esquecidos... mas eu não os quebrava - avistando que palavras na ponta da língua machucam e que há facilidade em amar o que não conhecemos. Eu amava uma árvore, um ipê roxo. Eu costumava ficar embaixo: lágrima em vão de algo salgado, platônico e estereotipado, com olhos do tamanho do mundo, que mudava pontes de rumo. Construía outra ponte, fazia acúmulo. Mas aprendi. Voltei para a casa, dizia ser a ultima. Segui por quebrar uma ou duas pontes frágeis. Quebrei todas; mas construí uma por fim. Dessa uma não há de partir, e nem sumir, e nem ser esquecida, e menos ainda de ser mudada de rumo. Ela liga um mundo em outro, e lá, dois entre três ou mais, de fato, não é tão ruim assim.

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