segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Um Soneto para quando a Noite tiver Fim



De que importa esse mundo em que me abraço?
Meu mundo é ter você no pensamento.
E numa tarde fria entrego ao vento
um sinal: olhos tristes de cansaço.

Então, minhas palavras vivo a perder,
e no caminho, as tuas vou encontrando
que, por iguais as minhas serem tanto,
mesmo distante, mesmo sem me ver.

Se esta ausência não é um problema em mim,
nem o tempo e nem nada mais será...
solidão vem, mas com o tempo voa.

E quando for tarde e a noite tiver fim
seja assim: pr'o que perdeu e encontrará,
dois corpos, uma alma, uma mesma pessoa.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Desmentindo Meus Pesadelos


Hoje, quem dormiu com as luzes acesas fui eu... Sonhei novamente que eu me havia perdido dos teus caminhos inventados. E sem caber de imaginar, por volta e meia, algum pesadelo vem querer provar que já é tarde demais, que o tempo para nós já se esgotou. É então que preciso que você volte para desmentir, que volte para me dar aquele abraço que suga todos esses meus pensamentos ruins fazendo-me esquecer tudo, e que volte por ser o pedacinho mais belo que existe dentro do meu coração. E, novamente, aos teus caminhos, eu entrego o nosso encontro, para que nele nunca mais tenhamos de dormir com as luzes acesas, para que nele possamos viver em sol, la e mi menor... entenda.
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(Resposta para a querida Angélica).

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Quem é você?



Quem é você? Você que invade todas minhas frases fingindo devorar as palavras que delas saem? Você que chove do céu pra dentro dos meus olhos? Quem é você? Você que vive no meu ser fazendo-me ter de arrancar pensamentos que não existem? Você que assobia uma canção, uma canção (quase) qualquer? Quem é você? Você que vive na minha sombra, gritando com o silêncio as palavras que não quero escutar? Você que cala quando as palavras precisam de abrigo... Quem é você que nunca termina no bem-me-quer?


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Como é que se pinta o asfalto?



As coisas são tão duras de se entender que me acho no direito de deixá-las ainda mais duras... Foi olhando por detrás da janela que eu quis ter de volta. De Volta a laranjeira morta, de volta as flores comestíveis, de volta aqueles dias que o vento tratou de levar embora. Então segurei uma lágrima que há muito não caía e, com a ponta dos dedos, molhei meu coração. Não é justo que tudo vire nada. Não. Nem poeira que o vento soprar.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Menos que Cinco Anos



Naquela época só havia esperança em meio ao caminho. Juntei duas ou três canetinhas às folhas envelhecidas de um caderno e, com os olhos em cor, recortei pétalas empoeirando o chão. Prendi cada pedacinho de carinho, um a um, e assim foi brotando uma flor em minhas mãos. Hoje entendo. Eu não poderia enxergar nada, nem a mim, se não enxergasse o que olhei por onde percorri, pois ao meu lado não esteve apenas minha sombra, mas tudo que me atravessou: uma rosa sem espinho, sem culpa de encontrar-se em meu caminho.

sábado, 5 de setembro de 2009

Pedido Passageiro



Inventei um dia tentando preencher o vazio que me atravessava. Nele não havia mais que um pedido calado de por um instante não ser mais eu. Agora foi embora. Agora não sei se o vazio estava lá, se o pedido estava lá... só me lembro que eu quis que aquele dia nunca mais terminasse. E eu que pensei estar aqui, também fui embora de mim.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sobre a Lembrança e o Esquecimento


Deixe-me esquecer. Lembre-me de não olhar o relógio, não quero saber que horas são, o quanto me atrasei ou se é melhor chegar antes. Lembre-me de não andar olhando a direção, não quero saber onde estou, com quem ando e para onde vou. Lembre-me de não falar, não quero saber de mentiras, justificativas, ou do interno de nada. Deixe-me esquecer. Esquecer dos planos feitos ou desfeitos, dos objetivos inacabados e das frases que nunca completei. Esquecer que não posso estar presente onde anseio que tenho que me despedir, que tenho que me desprender. Esquecer do que sou incapaz, que não sirvo para amar ninguém, de quantas pessoas já machuquei, e das muitas que estão por vir. Esquecer do passado, do futuro, do presente. Esquecer que é doloroso esquecer... então, deixe-me esquecer. E talvez quando eu esquecer tudo, por favor: lembre-me apenas de não me lembrar. De nada mais.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Canção do Mundo Belo


É como se meus cílios se encontrassem e começassem a sonhar numa silenciosa canção: o mundo ficou mais belo - ainda que inutilmente - quando por ele andou o meu coração.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pontes


As desculpas do ano passado são os projetos deste ano... Toda vez que eu voltava para a casa, dizia ser a ultima. Toda vez que eu voltava para a casa, seguia por quebrar uma ou duas pontes frágeis. Não conseguia. Não era fácil manter tantos atalhos instantâneos (daqueles que ligam mundos distintos noutros mais distintos ainda). Então, de muitos, alguns se partem, e somem, e são esquecidos... mas eu não os quebrava - avistando que palavras na ponta da língua machucam e que há facilidade em amar o que não conhecemos. Eu amava uma árvore, um ipê roxo. Eu costumava ficar embaixo: lágrima em vão de algo salgado, platônico e estereotipado, com olhos do tamanho do mundo, que mudava pontes de rumo. Construía outra ponte, fazia acúmulo. Mas aprendi. Voltei para a casa, dizia ser a ultima. Segui por quebrar uma ou duas pontes frágeis. Quebrei todas; mas construí uma por fim. Dessa uma não há de partir, e nem sumir, e nem ser esquecida, e menos ainda de ser mudada de rumo. Ela liga um mundo em outro, e lá, dois entre três ou mais, de fato, não é tão ruim assim.

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