domingo, 3 de junho de 2012

DUDU

Quieto, Dudu começou com coisas pequeninas, um adesivo, um adereço no caderno, uma peça ornamental. Aprimorou o violão pequeno e, em seguida, o grande. Confeccionou robôs de metal velho, produziu gambiarras que facilitam a vida, colou coisas nas paredes, quebrou o espelho construindo um mosaico com os cacos do mesmo. Escreveu, desenhou, pintou de graxa, carvão, tinta preta... seu quarto tornou-se assustador à primeira vista. Disse tanto sem falar. Falou tanto sem dizer. Tanto disse quanto questionou, e Dudu ainda se pergunta se alguém nesse mundo entende que tudo, tudo, tudo não passa de uma tentativa que adeque o mundo para que algo seja somente seu.

domingo, 27 de maio de 2012

QUANDO NÃO HÁ COMO NAVEGAR, MARINHEIRO DEVE DEIXAR O MAR


Naqueles dias todo o mundo o vê afastado
porque só sabe se sentir perdido:
perde a hora,
perde a fome,
o nome,
a mania de “o que quer que aconteça
não desiste jamais”.
Que nada!
Aí é que ele desiste mesmo.
Abandona.
Larga pra lá
e cá aqui, aprende a encontrar um punhado de dias,
de gente que facilita,
de códigos desvendados,
de terra firme,
de pedaços d’ele mesmo...
E sabe o que mais?
Da mesma forma como escapuliu
desde não sei qual dia,
continua dizendo:
eu amo o mar!
Só que encontra sempre mais três palavras adicionais:
eu o amo... mas eu desisto
(há de ser o "por enquanto").

(Para o melhor marinheiro de todos).


sexta-feira, 11 de maio de 2012

RECALQUE


Da parte mais doce que existe em mim saiu de quando eu era pequenininha e me havia de ter medo de perder um pedaço de mim no asfalto. Eu transportava pensamentos na calçada cuidando para não me escapar junto deles – não me perder, não escapar um pedaço, não, medo, pedaço, medo, asfalto, não me deixar sair de mim... Da parte mais doce é que ainda escrevo. E que ainda tenho mania de medo. Muito. Só que não no concreto. Talvez no imaginário. Talvez por me perder dentro de mim...


segunda-feira, 7 de maio de 2012

DESDE 01/01/2012


Logo quando você me contou que 20:02 te lembra a mim, descobri que o nosso tempo é distante do tempo do mundo. E foi assim que aprendi que nos horários arranjar pretextos para pensar em mim era como você dizia “eu te amo”. Como eu respondia, não sei! E é por isso que ainda escrevo: pra tentar dizer que sim, eu também, eu muito – eu amo você.

sábado, 21 de abril de 2012

ORAÇÃO

...e cuida de minhas palavras para que nunca tenham o poder de ferir os outros propositalmente, Deus, porque Você me ensinou que felicidade é quando a gente dorme sabendo que não fez mal a ninguém.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

SÚPLICA

Eu queria poder desaparecer! Ou queria ir até à janela da sua casa para falar que odeio não conseguir te odiar nenhum milímetro, olhando daqui. E tudo isso devido a essa minha mania de te isentar de toda culpa e de pensar que você é parte da minha vida que faz o mundo girar mais bonito - e que mesmo que você o tornasse feio, antes tê-lo assim do que não tê-lo. Sim, eu preciso ficar com você. Eu digo com toda a verdade que sei: eu preciso! Se isso fosse questão de escolha, eu te escolheria, pois você é meu único pedido para Deus hoje (ou daqui um século).